sábado, 3 de abril de 2010

Entardecer

Calo-te meio intenso, meio escuro, meio silencioso; inteiro gritante da alma!

Suspiro-te em versos que nada tem de rimas, senão o ruído da morte.

Insanamente, quase que alucinações pretensiosas de uma verdade lúcida e que de tanta claridade, cega-me!

Encontro-me em raros momentos na felicidade triste que me assola e que me concretiza no marasmo da vaidade – da razão?

Vergonha de calar, vexame de saber... imposição do ser... resta-me!

...

Aos prantos, me recolho em uma alma minúscula, mínina... quase nada.

Do quase, sobra a centelha do fogo que arde, que dói – contínua dor de um vazio sem cura.

Vivo assim, meio escura, meio sóbria, com verdades que me calam e que fazem com que os outros tornem-se surdos – mudos?

Mas que audácia o sonho! Vem murmurando felicidades extremas e longínquas!

Quase acredito! Ela me arrasta, em asfaltos de espinho, e eu estou ali – só Eu e mais Ninguém; lindo de se crer.

Blasfêmia!

...

Durmo no auge, no ápice da bancarrota de minhas sensações. Estas, calorosas e tempestuosas, me impedem de recorrer á morte como antídoto.

Vida viral, contaminante, determinante... do nada.

Venho-me, todos os demoníacos dias, percorrer a tênue linha entre vida e morte, entre sonho e realidade... morro-me no pico!

...

Contínua lembrança de uma vida sem limites, de um âmago se linhas e sim um círculo;

lembro-me de quando nunca achei a vida e caminhei entre a morte. Resta-me, com

claustrofobia, viver aquela que é chamada vida. E me perder, com sorrisos largos, na morte.

3 comentários:

Dekduedro disse...

"Mais alto astro do ser", não é viver, contudo, sem morrer.

A rima é pobre, inclusive poeticamente, mas é impossível não grifar o niilista alemão ao ler algo assim, mesmo parecendo, muito embora, o existencialista francês mais adequado.

Corrompeste o dilema! - vida e não-vida. Só tenho isto a dizer. E não corrompeste com 'corrupção', mas sim (mas sim!) com o 'corrompimento'.

Não tenho certeza se li muitas coisas mais belas que isto.

Lisa Alves disse...

Belissima e livre como a existência que nos joga ao abismo e ao cair nos deparamos com uma cama elástica capaz de atirar-nos mais alto do que aquela altitude abismal ilusória.
ABRAÇOS

Anônimo disse...

VOCÊ É MUITO GATAAAA! LINDA DEMAIS!!!

senth

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