terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Rodapé; roda o pé e crava no mesmo ponto.


Nós (nó cego), mortais
Era um dia comum, todo florido e cheio de Narcisos campestres ao redor do mundo. Estava eu lá, parada no eixo sul do mundo observando o mesmo. Eu estava de passagem até a Galáxia Terrorista quando parei na Terra. Não sei o que me prendeu, talvez a mesma coisa que prende os humanos: símbolos. Sentei na ponta do eixo e fiquei brincando com uma molécula de Serotonina que mais parecia um cachorrinho para os mortais. Sentei e acendi um cigarro rico em O2 da Terra, presente de um cientista que morreu de angústia.
Peguei meu binóculo em 10 dimensões e depois o em 3 dimensões; primeiro observei com o de 3 dimensões e reconheci os símbolos dos mortais; eram tão felizes que na Terra onde me criei soaria como falsidade ideológica interior, o que é banido por lei. Tudo muito charmoso e sem uma pseudoverdade sobre tudo. Identifiquei uma que parecia sorrir de verdade... tentei entender, ora. Veja bem, eu só vejo sorrisos falsos, quando analisei o Símbolo com sorriso de verdade tive que arrancar o binóculo de 10 dimensões. Posto que, a Identidade-verossímil estava gritando e sofrendo tanto. Acho que era informação demais, tempo demais compactado sem nenhuma degustação, era simplesmente normal, precisava revivê-la ao Caos. E anotei no meu caderno de viagens o que ela estava expressando com o sorriso:
"Eu mato o corpo racional aos poucos; mato com a angústia do devir-de-um-dia-ameno. Mato o racional com o supra-irracional; mato e mato e mato... e vou matando até que um dia isso tudo pare de querer morrer.
Eu a matei no dia que comecei a amá-la; amei como todo o meu ego poderia amar à alguém. Amei demais e esqueci que a racionalidade nos leva a um ponto que desvia a dor: o coração não dá taquicardia se fosse racional. Sério, o coração-orgão mesmo.
A Razão nos evita um taquicardia, carcamanos!
Eu pensei que eu não pudesse destruí-la mais. Porém, com minha força mercenária, roubei tudo e mais um pouco, até não restar um fio para iniciar outra destruição.
Ela é mais destruída, (coitada!), mais virtual, mais imagética. Ah! A filosofia imagética!
O por trás da imagem, tem mais imagem. Alguém cria uma imagem, mas quem? Esse “quem” deve se destruído! Missão Rambo contra a identidade real!
Eu mato ela todos os dias, aos poucos e com dor... a dor de saber que está sendo destruída mas que foi entregue à dor de corpo e alma ( e imagem).
Ansiedade Generalizada sobre a imagem. A Imagem está em crise! A Imagem distorceu a Identidade e sofre porque nunca viveria sem ela. A Identidade é uma só, não se enganem, é uma só. A Imagem tem várias faces: ela é falsa. Ela não é tão inteligente mas é tão eloqüente que convence a Identidade de usá-la. A Imagem usa palavras sábias como “aceitar”, “felicidade’, “autoafirmação”, “moral”... e a coitada da Identidade e atraída por essas tentações tão globo-ficiais e medíocres. Mas ela aceita... ela segue. No caminho de mãos atadas das duas, elas caminham elegantemente, mas sempre quem consegue algo das outras Imagens é a própria Imagem; a Identidade consegue conversar com animais e animas-humanos mas consegue carregar a árdua cruz de felicidade da Imagem no seu próprio sofrimento."
No meio da Imagenocracia só nos resta salvar as poucas Identidades e sofrer por sê-las e não por nunca tê-las sido.

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