Um solo improdutivo na primavera: perdeu-se entre os minerais e escolheu a merda que a nutri; ela cresce.
Um solo virtuoso de um saxofone em meio aos problemas cotidianos: solu mio.
Dó, Ré, Mi , Fá , Sol, Lá, Sí ! Eu grito por meio da nota sol.
Onde foi parar o desespero essencial à busca do eu interior?
- Foi buscar o efêmero do eu exterior. Lamentável.
Sol! Ser imperativo e apaixonante. Bárbaro! (barbárie?)
Os seres dão emoções em troca do sol; matam as emoções em troca do sol; aniquilam, degolam o sol: solidão.
O imperativo de emoções é solitude. Estes moinhos de mensagens desestruturais agradam o estado existencial primitivo: estar só.
Estar só é muito, mas muito triste. Vamos alegrar: ser só.
Ser só como o grande, poderoso, solene Sol.
Sol dá a luz ou a ausência; trevas ou claridade; ver ou não ver;
Sol dá ou não a possibilidade de tatear as coisas - adoro trevas. São tão, mas tão imperativas!
Sol mata os humanos que ficam muito expostos - coitados.
Reza o mito que o Sol vai engolir os planetas - " vende-se tijolos para construir a casinha no céu ".
O centro dele é composto por várias sub-instâncias; estas, fazem-no jorrar luz e vivacidade em todos os sentidos.
Vou-me indo sem descrição. Assim como descrever fatos científicos do Sol é fácil, é penoso descrever fatos subjetivos do sol.
Ele esquenta - é o que importa.
Ele rege - é o que importa.
Ele funciona - é o que importa.
Ele me faz enxergar - é o que importa.
Ele é uma explosão intranuclear - é o que importa.
E eu sou só como todos os seres humanos - consequentemente, uma explosão intra-egocêntrica.
"Lá, Sol! Onde a solidão é solene!
Lá, Sol! No solo; no quinto dos infernos do meu solu mio!
Lá, Sol! Onde a atitude sólida da quietude nos remete à uma good-trip!
Lá, Sol! Onde a solidão não é mais infernal senão a própria solitude ensolarada!
Só sol, só eu"
30 de setembro de 2008


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