segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

De grão em grão a galinha enche o papo.

“A fila andou naquela prática suicida” disse Sui à galinha.
Belo estranho no ninho errado era aquele que olhava-se (me) envolta sem mesmo olhar o que acontecia aos ratos da tarde de verão.
Os ratos invadiriam e comeram Sui até que, o choro do sorriso apertado ligou-se a boca e permitiu-lhe um sorriso ameno. O sorriso não era largo, mas era intensificado com o olhar do belo estranho. O belo estranho estava no ninho certo, talvez: na sua querida mente, embaralhada e sem significado – para isso olhou para o chão.
Sui não contentou-se e além de sorri-lhe tentou sentir a mesma confusão daquele ninho; inclinou o pescoço ao sul do mundo, ao sul do céu: o chão.
Via coisas tenebrosas no chão: nada. O belo no ninho feio estava pensando e pensando em nada – nada que Sui pudesse identificar.
O chão deveria ser branco e suave, mas era vermelho. O belo retornou ao ninho e olhou diretamente ao meio do norte e sul, a frente. Percebeu-se um olhar cansado, tão cansado que olhou a frente e subestimando a frente, continuou a olhar para baixo. Veja, logo, ele estava olhando para frente, mas a projeção era ao sul do céu. As marcas e expressões acompanhavam o olhar longíqüo e cansado: sul do céu.
Sui queria cobrir-se com a pele negra velha do belo, mas ele estava longe e de tão longe ele não percebeu o leste do ninho: Sui.
Sui olhou-se e se olhando olhou-lhe olhando o olhar. Olhou o olhar e sentiu-lhe, apenas, as sensações. Deste lirismo nasceu a defecação do amor. Não se coloca um poema no amor; amor é um poema. Erroneamente, olhou querendo palavras, querendo gestos. Pobre Sui, não conseguiu sequer um terço de palavra. Abstraiu-se mas apaixonou pelo olhar corajoso e covarde do belo estranho sempre no ninho errado. Sóis vós? – perguntou-lhe em silêncio na ausência de sons do olhar.
Frustrou-se, Ó. A bosta nunca sairá suave se você não chorar e sorrir enquanto ela chega à privada.
Sentiu-se que ia vomitar lágrimas de angústia pós-expectativa, mas, não, engolindo-lhe o olhar passou a viver ao norte, de novo.
Sui estava inquieta e ao mesmo tempo quieta. Corpo quieto e mente inquieta, querendo quietar. Os olhares logo viraram trompetes e pianos.
Os olhares sombrios transformaram-se em lamentações por saberem que eram feios; os olhares ótimos eram perpetuados em seqüencia de notas mentais e tão viva quanto forem as notas. Logo, tudo virou uma baderna conflitante: nota brigando com nota, uma matando a outra, uma querendo vencer a qualquer custo... e tudo isso com o maestro Olhar rindo com o sorriso de um belo homem realmente fora do ninho que chegou rindo, entrou rindo e convenceu os discípulos do Olhar a pararem de brigar – mas tanto fez, eles brigaram ainda mais vendo que o o próprio maestro não estava ligando a mínimo para a harmonia das notas. Diz-se que com o mundo acabando, dois sorrisos se amam há muitos metros de distância, quase que outro continente. Olhar e Belo se amaram. Se amaram pouco, mas se amaram. Sui ficou de fora e riu com o sorriso dos dois e apaixonou-se pelo original: o belo homem realmente estranho no ninho.
Matou-se, pois o ninho e toda a angústia do mesmo.


2 comentários:

Dekduedro disse...

Se amaram pouco e se amam muito.

Eis a grande sacada desse sentimento, havendo uma vez nunca mais deixa de ser, como um Universo, que da ausência explodiu e mesmo após a morte de todas as estrelas, constelações e galáxias, continuará a inflar e inflamar sua eterna vida solitária.

Dekduedro disse...

P.S.: a foto é lindíssima, tanto que penso que não deve ser chamada foto, mas imagem...

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