domingo, 27 de julho de 2008

Carta de uma fugitiva. Ela por ela.


" Anna,


Me encontro num impasse mental e literário. A demasiada vontade de lhe escrever é muito maior que meu ego ferido de má escritora. Ou, às vezes, o de ser um ser meio, ou mais do que devia, complicado. Sinto um certo conforto na palavra fabulosa que é escritora. Seres “dialogáveis” são ótimos escritores, até mesmo os analfabetos – propositalmente ou não.
Sinto um enorme desprezo pelos que não conseguem ver um lado grandioso numa escrita caótica e extremamente sentimental. Até esses pigmentos de várias facetas metafóricas e multicoridas que se encontram em meus braços, pernas e costas, são desenhos e artes caóticas. Minhas mente é um caos completamente lúcido. Seria ironia eu dizer que sou completamente sã nos meus atos? Até mesmo este, de querer te escrever com tanta profundidade e com um cunho de decifrar o que sinto?

( O que sinto por você, e por mim. E por mim e por você. E por nós duas. )

Será, que, a ilusão é maior do que a realidade que me encontro? A realidade de sentir tanto conforto com/para/no seu ser ? Será mesmo que essa doce ilusão vai se dissipar por entre os segundos, minutos, horas ... tempo? (...)

( Se o tempo for ilusão, espero viver na realidade do conforto em relação a ti.)

Desacreditar na Anna Clara é muito fácil para a mesma. Acreditar nos meus alter-egos é bem mais fácil. Acreditar em você, Anna, porém, é uma dose de doçura. Uma dose gostosa de licor nos lábios, achando que naquele precioso momento, a vida é mais doce do que de costume. Porém, todo doce dos lábios acaba uma ou outra hora. Aquela enigmática hora em que engolimos todo doce presente nos lábios. E, sempre, queremos mais e mais. Por alguns minutos depois do doce ter ido embora, fica aquela sensação da vida toda ser agridoce. Até que seu surgimento dá um toque de licor inusitado na minha boca. Essa minha boca que insiste em profanar palavras raivosas o dia todo. Essa minha boca doce e agridoce que xinga por horas a fio. Essa boca que necessita de doses esporádicas de licor com sabor de crença. Essa boca que usa do escárnio pra sobreviver em meio aos descasos da evolução – ou não – pessoal.

( A boca é e sempre será o melhor termo para designar o conforto que sinto quando você chega para conversar comigo. )

Acreditar em tua existência é encantador e pacífico para meu mundo mental imortal. Esse mundo cheio de contradições e amores. Cheio de idéias e fracassos. Cheio de subidas e descidas. Minha mente recomeça a trabalhar quando te vejo por esses meios invisíveis – imagine visíveis? Começo a entrar em solos desconhecidos, com nossas conversas cheias de compreensão, “amor-próprio” , dignidade e lealdade. Sinto que seus amores são os mais felizes de todos os multi-versos. E que, quem lhe faz feliz, me faz também. Teria que sentir algum tipo de repúdio? Creio que não. Sinto uma espécie de terremoto de amor incondicional entre minhas idéias. Quem cuida de ti, há de cuidar de mim.

( O sol nunca se põe quando somos livres de dependências. E quando temos resquícios de virtudes, ele está lá sempre começando um dia. Um dia caótico, senão não seria a Anna Clara. )

Tudo isso é como um transe mental e corporal. Fatos acontecem e sou obrigada a pensar mais claramente e colocar pra fora minha veia de poeta: Numa noite bem aconchegante, estava eu e mais eu sentada em frente ao computador. Delicioso o momento em companhia da musa Etta James. Aquela hora que o
blues atinge lugares imprevisíveis do meu ser. Posso dizer que, chegou a todos os compartimentos do meu cérebro e entranhas. Formando, assim, um transe. Um transe comparado à um orgasmo tântrico.
Em meio à loucura do meu estimado
blues e da voz metálica e forte de minha musa, começo a sentir um cheiro estranho de fumaça. Mas não liguei. Eu estava mais viva do que nunca naquele momento, provavelmente não ligaria se a casa estivesse em chamas. Mas, ouvi meu irmão indagar o que era aquilo. E eu acordei desse transe e fui ver o que era. Tudo voltou ao normal quando parei a música. Por descuido do meu ser concentrado, eu havia jogada os tocos de cigarro no lixo do banheiro, e não me comprometi em olhar antes para ver se estavam todos apagados. E não estava. Por sorte, evitei um fogaréu em minha casa.
Por mais desonroso que isso pareça, eu achei algo belo nesse momento crítico de descuido: a capacidade de entrar num transe para reviver a alma, antes triste. Podia, e posso, comparar com o ato de trocar meias, ou inteiras, palavras com você. Trocar diversas histórias, estórias, Histórias , fantasias, enigmas, amores, tristezas, filosofias, física, com você. Meu digníssimo espelho real.

( Os fatos que têm grandes possibilidades de darem errado e dão certo, são dignos de uma metáfora. )

Afrodite para os gregos, Vênus para os romanos: acredito que essa deusa aplaude o que sinto por vossa pessoa. O mito do consagrado mundo invisível. Aquele mundo onde tudo tende a dar certo. Esse mundo Venusiano... esse nosso mundo, meu e seu, nada mais. Ouço as palavras apaixonadas de Vênus nos meus ouvidos, tentando reciclar algo que perdi há tempos. Minha mente pode ser, tecnicamente, vaga. Mas meus olhos, não. Esses, preciosos, tenho como mais que portais da alma, mas sim, os portais de tudo que sou e sinto. Sinto pelos olhos? Sim. Até vibram em forma de choro quando me emociono! Ou brilham, tímidos, quando ouço o nome de alguém querido. Tiram fotos monumentais dessa coisa tão doce que é a vida – tiram fotos monstruosas dessa coisa tão agridoce que é a vida. Quando o sabão escorre e cai neles, sinto uma ardência forte e pulsante... como o coração metafórico, mas este não tira fotos e observa o par de olhos de outros seres. Meus olhos são tudo o que desejo e sinto, tudo o que possuo.

( Os olhos nunca se enganam, o coração metafórico, sim )

Sou uma fascinada por detalhes corporais e pessoas fantásticas. No meu admirável achismo ( assim deveria ser para todos os seres ) percebo que seu olhar é uma mescla de Drama e Romance. Não sinto, e nem quero, uma pitada de Horror. Te faço como quero e te sinto como quero, esse é o poder da minha, minha e sua, sua e minha, nossa, ilusão.

( Ilusão nunca acaba se não quisermos... )

A leveza do “ vai ficar tudo bem, meu amor” traduzida no toque da mão, quando enamorados estão se consolando, é um sentimento que estou carregando nesse momento, sem ao menos ter trocado algo vital com você. Apenas sinto você conversando comigo. Colocando sua mão no meu rosto, com os dedos subindo e descendo, como se estivesse sentindo um tecido. Me olhando com esse olhar que só você tem, e dizendo para eu me acalmar e que a vida é como aquele licor que você borrifa nos meus lábios. Apostando todas as suas chances em mim, e eu apostando em você, você em mim. Sinto seu toque, sem me olhar, tentando identificar minhas expressões, como um sujeito cego. Depois de chegar à um conclusão, abre seus olhos e confirma muitas idéias que você teve. E mesmo assim, me abraça como se naquele momento o mundo não fosse mais o mesmo. Como se uma doutrina do amor – venusiano – incondicional e livre, estivesse sendo seguida por milhões, zilhões de almas perdidas na dependência.

( A Deusa do amor e erotismo nos segue no destino de trombada com a liberdade. )

Você acalma esse choque emocional que persiste, e teimoso, não sai do meu ser.

Anna, hoje decidi me dedicar aos sentimentos otimistas, apesar de eu ser extremamente pessimista. E, me surpreende, não fui ofensiva e não usei nenhum palavrão...

Beijos...
Anna Clara. "

A última dos moicanos.


Primeiro é o rascunho de idéias. Aquela coisa sabe, cuspindo algumas palavras decorrentes de um pensamento reprimido. Reprimido no sentido de ter perdido total coragem. A total coragem de idéias que não são fracas, mas com o medo de perder algo que foi meramente, escrupulosamente, consolidado. Estremece minhas pernas pensar na catástrofe dos dois segundos anteriores à um olhar de repulsão e misericórdia. Perdi todo o senso crítico da coragem. Me resta, talvez, um pouco de convicção. A convicção da minha moral e ética, que eu soube fazer uma Torre de Babel com a própria cabeça, mesclando todas línguas e etnias ( uma coisa um tanto quanto rara no nosso mundo cheio de improviso). Resta essa, única e minha: convicção. A convicção. Aquela que nos faz subir de um buraco sem ajuda de alheios. Teríamos, talvez, ter vergonha de alguns pensamentos não-comuns? Ou talvez teríamos que dizer mais e ver que todos têm medo de algo...intimidante? Para poder acabar com a censura de sentimentos impessoais-pessoais? Às vezes, rapaziada, um buraquinho de liberdade do outro indivíduo para com nosso meteórico buraco de repressão mental pode surtir efeitos significantes na vida de compreensão dos dois que estão descobrindo coisas novas um do outro. A total independência do sentimento, creio eu, está na profundidade de olharmos para o outro como se quisesse comê-lo com os olhos e tentar tirar proveito e empatia disso. “ Just a little hole, baby... i mean, Frank i give a damn “

Perdi a perdição, uma coisa querida do meu ego. Mas o mesmo vai reencontrar nos poços da vida.
Ainda perdi o total juízo da camaradagem.
Perdi, talvez, o fato de querer sempre mais e não poder.
Perdi, de fato, o querer e não poder.
Perdi a ilusão daquelas coisinhas lindas que eu faço sem pedir licença.
Perdi a minha maestria de conduzir a vida.
Perdi, muito ou pouco, o interesse pela humanidade.
Perdi, pra sempre, o desprezo pela humanidade.
Perdi o fato de acreditar e desacreditar.
Perdi milésimos de segundo de sentimentos suicidas.
Perdi, tudo e mais um pouco, do choro recolhido.
Perdi, e vou perdendo, e perdendo... o gosto do intocável.
Perdendo, perdendo, perdendo... seguindo? Sim, seguindo, seguindo... até ali.
“ Olha... corre, corre, corre! “

Caríssimos e prestigiados amigos, perco tudo, mas nunca, em hipótese alguma, perco a convicção na minha pessoa.

Quem sou eu

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Anna Clara Rios Moço.
Uberlandia, MG, Brazil
Uma qualquer, com sentimentos quaisquer, com singularidades quaisquer, com paixões quaisquer, com raivas quaisquer, com contos quaisquer, com problemas quaisquer, com delicadezas quaisquer, com olhares quaisquer... sou o "qualquer". Qual quer?
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