sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Carta enviada.



Minha querida rosa,



Estais conservada dentro de um campo de rosas vermelhas. Olhaste ao infinito abaixo das rosas vermelhas e sugou-me rosas brancas com caule vermelho.
Convoque um chá de domingo com as rosas brancas. Deixei o destaque contrastando com o seu vermelho, Rosa.
Engraçou-me sua graça de sabedoria na minha, até então verdade absoluta sobre melancolia pós-você.
Sinto-lhe sempre com uma brisa de um campo ao entardecer. Uma rosa bate levemente e suave, enquanto as brancas ficam sorrindo ao te ver.
Construiu-me dezenas palavras de artimanhas da felicidade: ajuda e compaixão para com os outros. Levo-lhe, pois - nessas duas palavras ótimas - otimistas.
Lembrais que te escrevi uma carta mental no dia que partiu para a longa viagem do recomeço. Pedi-lhe paz e conforto para nossos corações que ficam. Corações. Estes, vermelhos, vermelhos rosas. E somos, por sua vez, rosas brancas com seu caule de diva rosa vermelha.
Moldada pelo toque, sinto seu abraço de conforto todas as vezes que venho, por meios mentais, a chorar. Choro procurando o meio, o equilíbrio do todo, e choro de felicidades quando consigo sentir seu toque moldado à sabedoria.
Calmaria me envolve como quando estamos em um campo cheio de rosas. Calmaria esta que me faz pensar que olhas por mim e por todos.
Lembro-me bem de sua máquina de costura, costurando meus sonhos de menina bondosa. Aquela peça marrom-madeira me faz lembrar de você sentada dando sorrisos involuntários, sagaciando sua alma de divina - sempre foi e sempre será. Sempre.
Estais me olhando e ouvindo agora? Eu sei que está. Meu saber nunca foi tão expressivo, nunca foi tão moldado no seu toque e graça.
Aveludada és você. A sensação de tua presença é como passar a mão em uma petála de rosa. Sentir o tato do seu tato com a rosa. Rosa.
Extravagante simplória é uma rosa. Extravagantemente bela é você, Rosa. Simplório é o que aprendi a ser quando você se foi.
Vageza de mim pensar que você se foi. Você não foi e nunca irá. Ficarás rodeada no meu mundo sem território. Abro alas para o território atemporal, onde aprendi a me expressar como quero, sinto, almanejo, vaganãoreio, coraceando, tocando a harpa das rosas entres as rosas brancas que foram mutando-se em direção ao eu delas mesmas.
Ensinaste, Rosa, o quanto a graça de viver é desejada. E ensinou ainda a lidar com os submundos do caminho até a graça.
Equilíbrio este que sinto e levo para vida, e que devo-lhe total merecimento. Merecimento? Merecimento não é digno de você. Tu já brotou ao mundo merecida.
Quero lhe dizer que hoje não mais sinto qualquer tipo de arrependimento. Como sei que queria que eu não sentisse. Sinto apenas a brisa tocando minhas bochecas, maçãs do rosto, orelhas, lábios, nariz, testa e olhos - estes mesmo que herdei de ti.
Aprendi a reparar na suavidade das rosas. Aprendi a reparar na suavidade do sentimento. Aprendi a reparar na sua falta e na sua presença.
Orquídeando a bela vida, aprendi a ser amena, com você.
Carvalheando o toque da madeira dura, aprendi que aquilo me fazia bem, fazia eu me encontrar em direção à paz de espírito.
Vitória-regendo a vida, aprendi que estamos flutuando em um líquido denso, porém astuto e belo.
Copo-de-leiteando a vida, aprendi que as formas não são importantes, mas sim, a beleza da sensação do toque.
Erva-daniando meu eu, soube separar os venenos que vieram das raízes, e achar beleza nas sensaçãos e em mim.
Ypêziguando a vida, vi que existem cores puras para os sentimentos, mas estas cores, são infinitos toques como seu rosto.
Jabuticabando meus instintos infanto-infância, vi a saudade da fazenda enorme que me acolhe pensando em ti.
Tulipando meus gestos vindos de seus genes, vi onde começou o charme das mulheres de nossa família.
Me roseando e roseando você, soube sentir felicidade eterna quando estou triste, sem você, e sem sua filha bela como a aurora.
Desejo que me roseie e me traga sabores escarlates nos momentos de desespero.
Agradeço por ser minha rosa divina, diva e infinita.

Eu te amo.

Saudades com sabor de paixão.

1 comentários:

Ciro disse...

A mais linda, terna e pura coisa que meus olhos úmidos jamais leram...

Quem sou eu

Minha foto
Anna Clara Rios Moço.
Uberlandia, MG, Brazil
Uma qualquer, com sentimentos quaisquer, com singularidades quaisquer, com paixões quaisquer, com raivas quaisquer, com contos quaisquer, com problemas quaisquer, com delicadezas quaisquer, com olhares quaisquer... sou o "qualquer". Qual quer?
Visualizar meu perfil completo

Sites que frequento.

  • www.nietzscheana.com.ar
  • www.contos-web.com.br
  • www.resenha.com.br
  • www.roteirosonline.com.br
  • www.roteirodecinema.com.br

Arquivo do blog