sábado, 16 de agosto de 2008

Abster-se.


O defeito do ser humano em dizer “nunca” e “sempre” é uma coisa astronômica de pacotinhos de idiotice.
Como “nunca” tem um significado finito, usamos pois não suportamos mudanças infinitas. Em contrapartida, temos o “sempre”, que dá idéia de um significado “infinito”. Fugindo um pouco de definições lingüísticas e entrando nos meados estrelares da nossa peça criativa inanimada, vemos que a conclusão da palavra – e não a definição – está intimamente ligado ao medo de mudança nos “altos e baixos” que os livros ajudantes de alimentar o nosso ego ( filmes e livros auto-ajuda ) nos proporciona.
Só que, nas nossas conversas informais, não nos damos conta da definição ou conclusão da palavra. É o problema de firmeza no que se está dizendo. Ainda, existe o problema do “será”, como: “ Será que eu nunca vou ser feliz ? “. Essa ingenuidade na definição e conclusão das palavras nos remete a achar que os seres humanos buscam tanto a felicidade eterna que esquecem de ter certeza do que falam. Existe aquele ditado – ou não – popular que diz que as palavras têm poder. E têm mesmo poder. Nada de luzes cósmicas do Salvador, ou um abraço invisível do Tinhoso nos momentos inexplicavelmente ruins. Têm poder pois quem os profana são os seres humanos. Seres “racionais” que têm a capacidade de pensar e dar a resposta cabível.
O tal do “nunca” e do “sempre” são palavras opostas que nos leva a achar que algo seria definitivo. Justamente por nós, seres humanos, morrermos de medo de parar com a ilusão da felicidade “para sempre”. O método das histórias infantis do “felizes para sempre” é cabível e racional. Até porque, as responsabilidades mais duras da fase posterior, precisa de um pingo de otimismo. Imaginem se fosse “ não tão felizes para sempre, pois a vida, meu filho, não é tão linda quanto parece. Depois de alguns anos, Davi morreu com uma facada nos órgãos genitais, mas ficou lembrado por todo o sempre pelo ato heróico de ter matado o Golias... “
A lavagem cerebral do “nunca” repetidas várias vezes, prospera em nos deixar levar pelo pensamento mundano simplista. E repetir inúmeras vezes o “sempre” nos encaminha para a frustração corporal e mental.

Aqui jaz os mandamentos auto-ajuda em termos mais ou menos bíblicos:

Eu, ser humano possuidor de cérebro, que fiz sair da terra do Egito, da casa dos escravos. Não terás outros deuses em desafio a Mim. Mas, terás, fases e pessoas da tua vida que o ajudarão a formar a personalidade mais ou menos original.

Não farás imagem esculpida, referindo-se a ídolos, nem semelhança alguma do que há em cima nos ceús, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não adora-las-á, nem prestar-lhes-á culto, por que eu, ser humano com mudanças constantes, sou Deus, e que puno o erro dos pais nos filhos até sobre a terceira geração e sobre a quarta geração dos que me odeiam, mas que uso de benevolência para com até a milésima geração dos que me amam e que guardam os meus mandamentos.

Não tomarás a definição no “nunca” em vão, pois não considerá impune aquele que tomar seu nome em vão.

Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar com relaxamentos e pensamentos próprios. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o Sábado. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso abençoou o dia do Sábado, e o santificou.

Honra a teu pai, tua mãe e seu objeto inativo na caixa craniana, a fim de que os teus dias se prolonguem sobre o solo que, teu Deus, te dá.

Não cometerás adultério sobre o pensamento doutrem.


Não furtarás sua dignidade.

Levantarás falso testemunho contra teu eu.

Não cobiçarás o ego dos outros, nem a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo. E muito menos, não cobiçarás a vida do outro com tuas profanações de “sempre” e “nunca”.

0 comentários:

Quem sou eu

Minha foto
Anna Clara Rios Moço.
Uberlandia, MG, Brazil
Uma qualquer, com sentimentos quaisquer, com singularidades quaisquer, com paixões quaisquer, com raivas quaisquer, com contos quaisquer, com problemas quaisquer, com delicadezas quaisquer, com olhares quaisquer... sou o "qualquer". Qual quer?
Visualizar meu perfil completo

Sites que frequento.

  • www.nietzscheana.com.ar
  • www.contos-web.com.br
  • www.resenha.com.br
  • www.roteirosonline.com.br
  • www.roteirodecinema.com.br

Arquivo do blog