Clichê casual e alguns pontos de interrogação

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Eu nunca quis!

Bin Laden, yo te amo - ode ao niilismo caótico do manicômio mental

Na manhã que antecede o amanhã há o ar frio e o suspiro com gosto de nicotina impregnando o puro e denso vitalismo do mundo.
Nesta manhã tudo dói, até mesmo a boa mistura da alquimia da imaginação perde o gosto: o bom degustar de um queijo com o café.
Tudo perde o que nunca teve: o sentido. O sentido, sem ter tido um ontem ou um amanhã – tudo nesta manhã.
Daquilo que fui só sei de um detalhe: não sei viver sem ciclos extremistas – vem um e morre, vem outro e morro... nunca renasce como o Cristo.
A Amélia que cuida bem do amor próprio mas esquece de amar o invisível, o imperceptível.
Da ilusão do frio de Junho, me vem à face da doce verdade do verão – do inferno, talvez.
Nunca foi tão gelado como agora na vida mental – tudo congelado, sem princípio nem fim: buraco negro com resquícios de harmonia e tristeza.
Quando caímos no poço, lá de baixo parece tudo caótico lá em cima, e onde estamos habitando parece tudo triste, mas tudo tão tranquilo que subir o poço parece má idéia.
Cada cigarro é uma intensidade a mais, um amor a mais – um sofrimento a mais.
Não há escapatória, não há antidepressivos... existem a-favor-de-depressivos.
Meus olhos ardem, mas não se fecham... sentem a dor e continuam abertos.
Sentem que a vida é boa, mas de tão boa ela fica inacessível.
Quero esconder e esfaquear toda essa tristeza que me coloca frente à um poço – caio ou não caio, Senhor?
Quero me enterrar no poço do meu labirinto, quero matar todos os malignos anjos que perpetuam em minha vida, quero-os demônios. Quero ver de nada e ao mesmo tempo de tudo.
Sou um Templo perdido do Tempo, e o céus hão de convir que não nasci para aqui.
Não quero nada, só quero... nada.
E queria me sentir especial por um segundo nessa terra de pessoas importantes.

Domingo, 29 de Março de 2009

Relatos de uma tatuagem


O sonho de um blues
Só quem esteve no buraco sabe o quanto equivalente é o amor e o ódio. No mesmo buraco que afundamos, subimos.
O vento cobre a fumaça que, consequentemente, cobre minha miséria e fome de vigor.
A honra esteve nos meus sonhos entre às 3h e 4h da madrugada nítida e alegre.
Acordei com as urradas dos leões internos e externos, alguns pássaros tentando me enlouquecer de torpor e glória. Sinto falta da glória, Zeus.
Falando em Zeus, Atenas veio ao meu sonho enquanto eu estava morta e disse-me que o buraco só é charmoso se vermos charme nele.
Pois que enquanto, tanto e contanto eu olho na janela que parecia mais um triângulo que um quadrado – quisera eu fosse um círculo.
A música seria minha única glória dessa madrugada que se esconde por debaixo do meu íntimo que instiga a fumaça que expelindo eu devoro como uma deliciosa dose de alegria.
Ele veio lento, baixo e rastejando e chegou sem pedir licença. Usou de todas as armas para me deixar no estado excitatório que leva as lembranças de volta ao consciente e repercute como uma nota tão aguda quanto se pode imaginar. Lamentando-me ele chega a doer o peito e depois me doa um bocado de refresco com uma nota tão grave como quisera ser um grito do ego. Nessa orgia de graves e agudos eu me vejo nos agudos realizando o coito com o grave. E vira o caos, o caos sem precisão, sem necessidade e sem imensidão. E eu lamento e grito, e choro e gravo tudo no meu inconsciente como uma criança adulta que mastiga uma bala de morango para lembrar o quão bom era sua vida.
E nessas tragadas repetitivas eu engulo a fumaça e a vejo entrar por todas as possíveis entranhas da minha alma que arde no inferno e alivia no paraíso e acaba por dormir no seu peito.
Gravíssimo é o grave que é a minha própria voz tentando se acalmar para no segundo seguinte conseguir dar um agudo como se quisesse sair de um lugar fechado.
Olho a lua e olho meu relógio: a miséria me faz querer e querer me faz odiar; odiar me faz amar e amar me faz dormir. Se você não entrar no buraco não há como sair, e se você já chegou no fundo do buraco só há uma escapatória: subir.

Acordei alegre com a note blue na minha alma... pudera eu acreditar que o sonho fosse só uma música.

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Baú.


Amor cortês – relatos de uma criança

Estórias têm começo e fim. Quem as conta é real e digno de alguma ousadia; ousadia de fantasiar.
Saberás sobre meu amor quando, sem motivo existente, olhar uma criança e sorrir com o sorriso dela. Sentirás um riso infinito e pensarás em mim; entenderás minha mediocridade diante da vida.
O começo é tão genial, mas tão genial que passa despercebido. Todo o começo, de qualquer coisa. Início, confronto e final: tudo é dividido nisso, sem exceção... nunca será, porém, verdade absoluta, posto que, é muito superficial dividir tudo em três fases. O mecanismo pra tudo é o mesmo, estas três fases. Uma vez que estas são subdivididas em fases menores, mas não menos importantes, que o produto não altera o resultado: começo de outra seqüência.
O começo de tudo é intrigante, vital, inesperado, fugaz, triste, gostoso... inúmeros adjetivos. Por quê não todos os adjetivos e alguns inexistentes? - em todas as línguas, pois.
Pensarás comigo, tudo inesperado é conseqüência de um fato novo, desconhecido. Na infância isto é mais acentuado: além de tudo ser inesperado, tudo é verdadeiro, não existe antepassados ou fatos anteriores. Por isso que a psiquê é obra-prima do começo da vida. São as crianças que representam minha concepção de liberdade/libertário: rir-se comigo e contigo, achando novo, inesperado e sem antepassados mentais: rio com seu sorriso majestoso – a beleza nunca me foi tão nova quanto a luminosidade da aura de sua boca.
Apaixonei platonicamente. Uma espécia de Amor cortês. Vejo-te como um vasto mar azul em vez de enxergar-te como mero e medíocre ser humano: és o que és e apaixonei-me pelo teu silêncio, amando tudo o que supostamente te dói. O que te dói, Príncipe? Eu não sei sobre o que te dói, só sei que um ser humano em sua essência tem dores. Dores estas que podem lhe tirar o sorriso, o começo, as cores, a ingenuidade de ver, a inocência de sentir o inesperado. Me causa dor platônica pensar que pode ser tirado a virtude estética e mental do seu ser: o sorriso. Isso poderá te doer, e eu amo tudo que te dói.
Por vezes caio na contradição de não querer ver você fora da minha restrita lista de amores e querer você fora da mesma. Amo tudo que te dói, mas o silêncio acaba que por doer tudo o que me dói. Minhas dores nada secretas e que por vezes você as destaca sem saber – ou sabe.
Me calo para toda a eternidade até me dar passagem. Até eu poder dizer a intensidade de pensar que minha língua poderia achar o seu sorriso na boca. Como um balão, minha dor vai inflando pelo acúmulo de memórias e sujeiras. Vai acumulando até explodir e não existir. Veja, o balão é plástico, mas estoura – pode ou não levar tempo.
Pelo que vejo, e toda vez que penso nisso dou uma risada infantil, como agora, meu balão foi feito cientificamente para durar muito. A intensidade se intercala com o equilíbrio de saber da existência do teu sorriso; basta-me, pois, saber a existência dele para me lembrar da minha fechada risada infantil – basta-me a existência.
A criança nunca é falsa; mesmo ela querendo ela nunca é falsa. São espertas, desconfiadas, verdadeiras, risonhas... lindas, lindas. Aprendo mais com elas do que se eu pegasse um livro sobre psicologia moderna. Veja, eu te amo do jeito mais infantil possível: te amo desconfiada, te amo rindo, te amo com esperteza, te amo chorando, te amo vendo, te amo me calando... pra mim é muito lógico ser um sentimento verdadeiro – mas, já passei pelas estruturas da infância, posso desconfiar ainda mais disso. Não devia, mas desconfio. Como se eu estivesse adulterando a ordem dos fatos.
As crianças são mestres natos. Desconfio que todos os deuses de todas as religiões são crianças. Aposto que estaria rindo de mim ou por mim com esta citação boba. Mas, algo tão supremo, tão verdadeiro, tão justo, tão belo, tão humilde... deve ser uma criança.
Vejamos, Príncipe. Seres humanos do sexo masculino têm uma admiração pela delicadeza das mulheres. Delicadezas, estas, às vezes infantis: atos, expressões ou biotipos infantis. Sabe que se eu realmente acreditasse nisso, estaria feliz com algumas ofensas? Sim, posto que eu acharia uma ofensa me chamar de menina, medíocre ou babaca. Significaria para a sociedade, uma pessoa inconseqüente, não ciente dos atos. Se eu acreditasse neste pensamento discorrido estaria muito feliz. Veria, pois, que agradei e que não preciso esconder minha forma de ver a vida: infantil.
A vida é tão infantil no caminhar até a morte. A própria morte é infantil – esperta, desconhecida e verdadeira. A seqüência de fatos nos prende a infantilidade, sair dos problemas é sempre infantil – você sempre está alerta, esperto.
As crianças me ensinam a olhar de dentro pra fora e dar uma risada diante os problemas. São tão mestres, são tão lindas. Felizmente, me considerei uma criança – mas sinto-me dizer depois deste texto que não sou, queria realmente ser. Perdi um pouco da malícia do novo, da esperteza. Ficou tudo tão eficiente que eu não consigo rir diante do ato de te amar; é tão lindo e intenso o que sinto que merece uma gargalhada das boas! Aquelas lindas! Sabes? E se fluir de um quadro de pintura como tua boca, juntamente com o sorriso, seria graciosamente sublime.
É intenso e irracional tudo isso; como o começo da vida.
Sorria para mim que sorrirei para você, assim como a graça de sorrir diante uma criança linda.
2006

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

O sorriso de Chaplin.



Do tempo que nos cerca sobra senão o tempo perdido
Outrora a Aurora soprou rapidez
E para os sábios entendidos, sobrou o desconhecido
Na arrogância o tempo vira acelerada estupidez...

Dos tempos modernos sobra-te o descaso ao acaso
Nem Ulisses há de permear este terreno hostil
Onde o humano ora plástico, ora barro, continua sendo um vaso
Deus poderia ter amassado o barro que fez o homem... de forma mais gentil

Dos tempos passados nos sobra senão um retrato embaçado
Ai daqueles que copiam-no e gritam “glória ao pai”
Me parece uma honra ao ego machucado...

Dos humanos que olham o futuro como óbvio
Digo-lhes sorrindo e chorando, uivando à esperança
Que a tragédia e a comédia andam misteriosas e com um sereno assovio...

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Caosismo.


Carta de prego codificada

Um solo improdutivo na primavera: perdeu-se entre os minerais e escolheu a merda que a nutri; ela cresce.
Um solo virtuoso de um saxofone em meio aos problemas cotidianos: solu mio.
Dó, Ré, Mi , Fá , Sol, , Sí ! Eu grito por meio da nota sol.
Onde foi parar o desespero essencial à busca do eu interior?
- Foi buscar o efêmero do eu exterior. Lamentável.
Sol! Ser imperativo e apaixonante. Bárbaro! (barbárie?)
Os seres dão emoções em troca do sol; matam as emoções em troca do sol; aniquilam, degolam o sol: solidão.
O imperativo de emoções é solitude. Estes moinhos de mensagens desestruturais agradam o estado existencial primitivo: estar só.
Estar só é muito, mas muito triste. Vamos alegrar: ser só.
Ser só como o grande, poderoso, solene Sol.
Sol dá a luz ou a ausência; trevas ou claridade; ver ou não ver;
Sol dá ou não a possibilidade de tatear as coisas - adoro trevas. São tão, mas tão imperativas!
Sol mata os humanos que ficam muito expostos - coitados.
Reza o mito que o Sol vai engolir os planetas - " vende-se tijolos para construir a casinha no céu ".
O centro dele é composto por várias sub-instâncias; estas, fazem-no jorrar luz e vivacidade em todos os sentidos.
Vou-me indo sem descrição. Assim como descrever fatos científicos do Sol é fácil, é penoso descrever fatos subjetivos do sol.
Ele esquenta - é o que importa.
Ele rege - é o que importa.
Ele funciona - é o que importa.
Ele me faz enxergar - é o que importa.
Ele é uma explosão intranuclear - é o que importa.
E eu sou só como todos os seres humanos - consequentemente, uma explosão intra-egocêntrica.

"Lá, Sol! Onde a solidão é solene!
Lá, Sol! No
solo; no quinto dos infernos do meu solu mio!
Lá, Sol! Onde a atitude sólida da quietude nos remete à uma good-trip!
Lá, Sol! Onde a solidão não é mais infernal senão a própria solitude ensolarada!
Só sol, só eu"

30 de setembro de 2008

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Apelo.



Interbonequismo

Dos olhos que tudo vêem através
Não sobra a imagem branca pura
Esse espelho não me passa um viés
À exceção da afogadura

Brindam severos aos espaços amplos
Mas com a riqueza ímpar cultural
Não valorizam os duplos, os triplos...
És tua carcaça escultural!

Ventos ecoando a cólera
Necessitar-se-ia de compaixão
A priori, desvio desta era

Seja equilibrio do sub-ob-jeto
A imagenocracia débil
Susurra sutil a nota do sub-jeto...

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Rodapé; roda o pé e crava no mesmo ponto.


Nós (nó cego), mortais
Era um dia comum, todo florido e cheio de Narcisos campestres ao redor do mundo. Estava eu lá, parada no eixo sul do mundo observando o mesmo. Eu estava de passagem até a Galáxia Terrorista quando parei na Terra. Não sei o que me prendeu, talvez a mesma coisa que prende os humanos: símbolos. Sentei na ponta do eixo e fiquei brincando com uma molécula de Serotonina que mais parecia um cachorrinho para os mortais. Sentei e acendi um cigarro rico em O2 da Terra, presente de um cientista que morreu de angústia.
Peguei meu binóculo em 10 dimensões e depois o em 3 dimensões; primeiro observei com o de 3 dimensões e reconheci os símbolos dos mortais; eram tão felizes que na Terra onde me criei soaria como falsidade ideológica interior, o que é banido por lei. Tudo muito charmoso e sem uma pseudoverdade sobre tudo. Identifiquei uma que parecia sorrir de verdade... tentei entender, ora. Veja bem, eu só vejo sorrisos falsos, quando analisei o Símbolo com sorriso de verdade tive que arrancar o binóculo de 10 dimensões. Posto que, a Identidade-verossímil estava gritando e sofrendo tanto. Acho que era informação demais, tempo demais compactado sem nenhuma degustação, era simplesmente normal, precisava revivê-la ao Caos. E anotei no meu caderno de viagens o que ela estava expressando com o sorriso:
"Eu mato o corpo racional aos poucos; mato com a angústia do devir-de-um-dia-ameno. Mato o racional com o supra-irracional; mato e mato e mato... e vou matando até que um dia isso tudo pare de querer morrer.
Eu a matei no dia que comecei a amá-la; amei como todo o meu ego poderia amar à alguém. Amei demais e esqueci que a racionalidade nos leva a um ponto que desvia a dor: o coração não dá taquicardia se fosse racional. Sério, o coração-orgão mesmo.
A Razão nos evita um taquicardia, carcamanos!
Eu pensei que eu não pudesse destruí-la mais. Porém, com minha força mercenária, roubei tudo e mais um pouco, até não restar um fio para iniciar outra destruição.
Ela é mais destruída, (coitada!), mais virtual, mais imagética. Ah! A filosofia imagética!
O por trás da imagem, tem mais imagem. Alguém cria uma imagem, mas quem? Esse “quem” deve se destruído! Missão Rambo contra a identidade real!
Eu mato ela todos os dias, aos poucos e com dor... a dor de saber que está sendo destruída mas que foi entregue à dor de corpo e alma ( e imagem).
Ansiedade Generalizada sobre a imagem. A Imagem está em crise! A Imagem distorceu a Identidade e sofre porque nunca viveria sem ela. A Identidade é uma só, não se enganem, é uma só. A Imagem tem várias faces: ela é falsa. Ela não é tão inteligente mas é tão eloqüente que convence a Identidade de usá-la. A Imagem usa palavras sábias como “aceitar”, “felicidade’, “autoafirmação”, “moral”... e a coitada da Identidade e atraída por essas tentações tão globo-ficiais e medíocres. Mas ela aceita... ela segue. No caminho de mãos atadas das duas, elas caminham elegantemente, mas sempre quem consegue algo das outras Imagens é a própria Imagem; a Identidade consegue conversar com animais e animas-humanos mas consegue carregar a árdua cruz de felicidade da Imagem no seu próprio sofrimento."
No meio da Imagenocracia só nos resta salvar as poucas Identidades e sofrer por sê-las e não por nunca tê-las sido.

Quem sou eu

Minha foto
Anna Clara Rios Moço.
Uberlandia, MG, Brazil
Uma qualquer, com sentimentos quaisquer, com singularidades quaisquer, com paixões quaisquer, com raivas quaisquer, com contos quaisquer, com problemas quaisquer, com delicadezas quaisquer, com olhares quaisquer... sou o "qualquer". Qual quer?
Visualizar meu perfil completo

Sites que frequento.

  • www.nietzscheana.com.ar
  • www.contos-web.com.br
  • www.resenha.com.br
  • www.roteirosonline.com.br
  • www.roteirodecinema.com.br

Arquivo do blog