Clichê casual e alguns pontos de interrogação
sexta-feira, 9 de julho de 2010
... morte para meus ouvidos.
sábado, 3 de abril de 2010
Entardecer

Calo-te meio intenso, meio escuro, meio silencioso; inteiro gritante da alma!
Suspiro-te em versos que nada tem de rimas, senão o ruído da morte.
Insanamente, quase que alucinações pretensiosas de uma verdade lúcida e que de tanta claridade, cega-me!
Encontro-me em raros momentos na felicidade triste que me assola e que me concretiza no marasmo da vaidade – da razão?
Vergonha de calar, vexame de saber... imposição do ser... resta-me!
...
Aos prantos, me recolho em uma alma minúscula, mínina... quase nada.
Do quase, sobra a centelha do fogo que arde, que dói – contínua dor de um vazio sem cura.
Vivo assim, meio escura, meio sóbria, com verdades que me calam e que fazem com que os outros tornem-se surdos – mudos?
Mas que audácia o sonho! Vem murmurando felicidades extremas e longínquas!
Quase acredito! Ela me arrasta, em asfaltos de espinho, e eu estou ali – só Eu e mais Ninguém; lindo de se crer.
Blasfêmia!
...
Durmo no auge, no ápice da bancarrota de minhas sensações. Estas, calorosas e tempestuosas, me impedem de recorrer á morte como antídoto.
Vida viral, contaminante, determinante... do nada.
Venho-me, todos os demoníacos dias, percorrer a tênue linha entre vida e morte, entre sonho e realidade... morro-me no pico!
...
Contínua lembrança de uma vida sem limites, de um âmago se linhas e sim um círculo;
lembro-me de quando nunca achei a vida e caminhei entre a morte. Resta-me, com
claustrofobia, viver aquela que é chamada vida. E me perder, com sorrisos largos, na morte.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Moral da história.
O invisível ser que envolta de mim corrompe toda a moral e toda ética existente em quaisqueres universos. Aquele que exala erotismo e amarra meus vícios.
Impenetrável caverna ambulante; de esgotos e seres provindos da angústia póstuma de uma alma viva. Caverna obscura de monstros que babam em nome da amizade. Monstros que bebem a água benta podre que deixaram no cálice há anos por desgosto.
Enigmáticos sons que explodem em loucos gritos na noite, outrora quente e aconchegante. Os dedos são poucos para fechar todos os poros que choram no rosto cheio de rugas de desespero.
Olhos vidrados na morte que se espera, na parede que chega cada vez mais perto e nem o cheiro da dor faz cócegas nesta palma da mão cheia de calos, não de trabalho, mas de arranhar os cantos do mundo querendo saída.
Unhas vermelhas gastas de tanta luta contra a própria pele, de tanto mastigá-la, rasgá-la, penetrá-la, e no fim das contas, matá-la. A pele que nunca foi esquecida, apenas crucificada. Amplo emblema da guerra, desta guerra invisível infinita, infinita até o próximo cigarro.
O peito agora está descamando, corroído pelas lágrimas ácidas de uma alma que se perdeu no caminho de volta ao coração. Não há saída, havia uma entrada, que agora está soldada por estas mesmas gotas de suicídio - trancada, ninguém entra e ninguém sai.
Espasmos histéricos de uma mente que é incapaz de ver soluções, de ver primaveras e muito menos verões. A janela se fechou, o ventou parou e a vela incendiou todo o compartimento de sobrevivência.
Difícil respirar, difícil ressuscitar, e é tão fácil entregar. A morte não está próxima, ela já vive dentro dos olhos.
Passos largos, trombando com milhões de humanos, sem nenhum perceber o que ela queria proclamar. Olhando no olho e vendo o poço, a desgraça, o túmulo. Túmulo vivo de memórias presentes. Ela é, sempre foi e sempre será uma pequenina borboleta enterrada na lama de seus próprios pensamentos.
O cheiro é demasiadamente irritante, repugnante e visível. Denso como sua lava mental. O nada entrou pelos poros e alojou-se.
Ela agora é o lar do nada, o parasita que não deixa dores nem rastros nem nada.
E ela morre, aos poucos, embora com instantes rápidos, no seu próprio chão gelado. Nada ocorre, nada se move, nada grita. Enterrada viva na sua própria existência.
Ela se chamava obsessão.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Eu nunca quis!
Bin Laden, yo te amo - ode ao niilismo caótico do manicômio mentalNa manhã que antecede o amanhã há o ar frio e o suspiro com gosto de nicotina impregnando o puro e denso vitalismo do mundo.
Nesta manhã tudo dói, até mesmo a boa mistura da alquimia da imaginação perde o gosto: o bom degustar de um queijo com o café.
Tudo perde o que nunca teve: o sentido. O sentido, sem ter tido um ontem ou um amanhã – tudo nesta manhã.
Daquilo que fui só sei de um detalhe: não sei viver sem ciclos extremistas – vem um e morre, vem outro e morro... nunca renasce como o Cristo.
A Amélia que cuida bem do amor próprio mas esquece de amar o invisível, o imperceptível.
Da ilusão do frio de Junho, me vem à face da doce verdade do verão – do inferno, talvez.
Nunca foi tão gelado como agora na vida mental – tudo congelado, sem princípio nem fim: buraco negro com resquícios de harmonia e tristeza.
Quando caímos no poço, lá de baixo parece tudo caótico lá em cima, e onde estamos habitando parece tudo triste, mas tudo tão tranquilo que subir o poço parece má idéia.
Cada cigarro é uma intensidade a mais, um amor a mais – um sofrimento a mais.
Não há escapatória, não há antidepressivos... existem a-favor-de-depressivos.
Meus olhos ardem, mas não se fecham... sentem a dor e continuam abertos.
Sentem que a vida é boa, mas de tão boa ela fica inacessível.
Quero esconder e esfaquear toda essa tristeza que me coloca frente à um poço – caio ou não caio, Senhor?
Quero me enterrar no poço do meu labirinto, quero matar todos os malignos anjos que perpetuam em minha vida, quero-os demônios. Quero ver de nada e ao mesmo tempo de tudo.
Sou um Templo perdido do Tempo, e o céus hão de convir que não nasci para aqui.
Não quero nada, só quero... nada.
E queria me sentir especial por um segundo nessa terra de pessoas importantes.
domingo, 29 de março de 2009
Relatos de uma tatuagem

O vento cobre a fumaça que, consequentemente, cobre minha miséria e fome de vigor.
A honra esteve nos meus sonhos entre às 3h e 4h da madrugada nítida e alegre.
Acordei com as urradas dos leões internos e externos, alguns pássaros tentando me enlouquecer de torpor e glória. Sinto falta da glória, Zeus.
Falando em Zeus, Atenas veio ao meu sonho enquanto eu estava morta e disse-me que o buraco só é charmoso se vermos charme nele.
Pois que enquanto, tanto e contanto eu olho na janela que parecia mais um triângulo que um quadrado – quisera eu fosse um círculo.
A música seria minha única glória dessa madrugada que se esconde por debaixo do meu íntimo que instiga a fumaça que expelindo eu devoro como uma deliciosa dose de alegria.
Ele veio lento, baixo e rastejando e chegou sem pedir licença. Usou de todas as armas para me deixar no estado excitatório que leva as lembranças de volta ao consciente e repercute como uma nota tão aguda quanto se pode imaginar. Lamentando-me ele chega a doer o peito e depois me doa um bocado de refresco com uma nota tão grave como quisera ser um grito do ego. Nessa orgia de graves e agudos eu me vejo nos agudos realizando o coito com o grave. E vira o caos, o caos sem precisão, sem necessidade e sem imensidão. E eu lamento e grito, e choro e gravo tudo no meu inconsciente como uma criança adulta que mastiga uma bala de morango para lembrar o quão bom era sua vida.
E nessas tragadas repetitivas eu engulo a fumaça e a vejo entrar por todas as possíveis entranhas da minha alma que arde no inferno e alivia no paraíso e acaba por dormir no seu peito.
Gravíssimo é o grave que é a minha própria voz tentando se acalmar para no segundo seguinte conseguir dar um agudo como se quisesse sair de um lugar fechado.
Olho a lua e olho meu relógio: a miséria me faz querer e querer me faz odiar; odiar me faz amar e amar me faz dormir. Se você não entrar no buraco não há como sair, e se você já chegou no fundo do buraco só há uma escapatória: subir.
Acordei alegre com a note blue na minha alma... pudera eu acreditar que o sonho fosse só uma música.
terça-feira, 17 de março de 2009
Baú.
Estórias têm começo e fim. Quem as conta é real e digno de alguma ousadia; ousadia de fantasiar.
Saberás sobre meu amor quando, sem motivo existente, olhar uma criança e sorrir com o sorriso dela. Sentirás um riso infinito e pensarás em mim; entenderás minha mediocridade diante da vida.
O começo é tão genial, mas tão genial que passa despercebido. Todo o começo, de qualquer coisa. Início, confronto e final: tudo é dividido nisso, sem exceção... nunca será, porém, verdade absoluta, posto que, é muito superficial dividir tudo em três fases. O mecanismo pra tudo é o mesmo, estas três fases. Uma vez que estas são subdivididas em fases menores, mas não menos importantes, que o produto não altera o resultado: começo de outra seqüência.
O começo de tudo é intrigante, vital, inesperado, fugaz, triste, gostoso... inúmeros adjetivos. Por quê não todos os adjetivos e alguns inexistentes? - em todas as línguas, pois.
Pensarás comigo, tudo inesperado é conseqüência de um fato novo, desconhecido. Na infância isto é mais acentuado: além de tudo ser inesperado, tudo é verdadeiro, não existe antepassados ou fatos anteriores. Por isso que a psiquê é obra-prima do começo da vida. São as crianças que representam minha concepção de liberdade/libertário: rir-se comigo e contigo, achando novo, inesperado e sem antepassados mentais: rio com seu sorriso majestoso – a beleza nunca me foi tão nova quanto a luminosidade da aura de sua boca.
Apaixonei platonicamente. Uma espécia de Amor cortês. Vejo-te como um vasto mar azul em vez de enxergar-te como mero e medíocre ser humano: és o que és e apaixonei-me pelo teu silêncio, amando tudo o que supostamente te dói. O que te dói, Príncipe? Eu não sei sobre o que te dói, só sei que um ser humano em sua essência tem dores. Dores estas que podem lhe tirar o sorriso, o começo, as cores, a ingenuidade de ver, a inocência de sentir o inesperado. Me causa dor platônica pensar que pode ser tirado a virtude estética e mental do seu ser: o sorriso. Isso poderá te doer, e eu amo tudo que te dói.
Por vezes caio na contradição de não querer ver você fora da minha restrita lista de amores e querer você fora da mesma. Amo tudo que te dói, mas o silêncio acaba que por doer tudo o que me dói. Minhas dores nada secretas e que por vezes você as destaca sem saber – ou sabe.
Me calo para toda a eternidade até me dar passagem. Até eu poder dizer a intensidade de pensar que minha língua poderia achar o seu sorriso na boca. Como um balão, minha dor vai inflando pelo acúmulo de memórias e sujeiras. Vai acumulando até explodir e não existir. Veja, o balão é plástico, mas estoura – pode ou não levar tempo.
Pelo que vejo, e toda vez que penso nisso dou uma risada infantil, como agora, meu balão foi feito cientificamente para durar muito. A intensidade se intercala com o equilíbrio de saber da existência do teu sorriso; basta-me, pois, saber a existência dele para me lembrar da minha fechada risada infantil – basta-me a existência.
A criança nunca é falsa; mesmo ela querendo ela nunca é falsa. São espertas, desconfiadas, verdadeiras, risonhas... lindas, lindas. Aprendo mais com elas do que se eu pegasse um livro sobre psicologia moderna. Veja, eu te amo do jeito mais infantil possível: te amo desconfiada, te amo rindo, te amo com esperteza, te amo chorando, te amo vendo, te amo me calando... pra mim é muito lógico ser um sentimento verdadeiro – mas, já passei pelas estruturas da infância, posso desconfiar ainda mais disso. Não devia, mas desconfio. Como se eu estivesse adulterando a ordem dos fatos.
As crianças são mestres natos. Desconfio que todos os deuses de todas as religiões são crianças. Aposto que estaria rindo de mim ou por mim com esta citação boba. Mas, algo tão supremo, tão verdadeiro, tão justo, tão belo, tão humilde... deve ser uma criança.
Vejamos, Príncipe. Seres humanos do sexo masculino têm uma admiração pela delicadeza das mulheres. Delicadezas, estas, às vezes infantis: atos, expressões ou biotipos infantis. Sabe que se eu realmente acreditasse nisso, estaria feliz com algumas ofensas? Sim, posto que eu acharia uma ofensa me chamar de menina, medíocre ou babaca. Significaria para a sociedade, uma pessoa inconseqüente, não ciente dos atos. Se eu acreditasse neste pensamento discorrido estaria muito feliz. Veria, pois, que agradei e que não preciso esconder minha forma de ver a vida: infantil.
A vida é tão infantil no caminhar até a morte. A própria morte é infantil – esperta, desconhecida e verdadeira. A seqüência de fatos nos prende a infantilidade, sair dos problemas é sempre infantil – você sempre está alerta, esperto.
As crianças me ensinam a olhar de dentro pra fora e dar uma risada diante os problemas. São tão mestres, são tão lindas. Felizmente, me considerei uma criança – mas sinto-me dizer depois deste texto que não sou, queria realmente ser. Perdi um pouco da malícia do novo, da esperteza. Ficou tudo tão eficiente que eu não consigo rir diante do ato de te amar; é tão lindo e intenso o que sinto que merece uma gargalhada das boas! Aquelas lindas! Sabes? E se fluir de um quadro de pintura como tua boca, juntamente com o sorriso, seria graciosamente sublime.
É intenso e irracional tudo isso; como o começo da vida.
Sorria para mim que sorrirei para você, assim como a graça de sorrir diante uma criança linda.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O sorriso de Chaplin.

Do tempo que nos cerca sobra senão o tempo perdido
Outrora a Aurora soprou rapidez
E para os sábios entendidos, sobrou o desconhecido
Na arrogância o tempo vira acelerada estupidez...
Dos tempos modernos sobra-te o descaso ao acaso
Nem Ulisses há de permear este terreno hostil
Onde o humano ora plástico, ora barro, continua sendo um vaso
Deus poderia ter amassado o barro que fez o homem... de forma mais gentil
Dos tempos passados nos sobra senão um retrato embaçado
Ai daqueles que copiam-no e gritam “glória ao pai”
Me parece uma honra ao ego machucado...
Dos humanos que olham o futuro como óbvio
Digo-lhes sorrindo e chorando, uivando à esperança
Que a tragédia e a comédia andam misteriosas e com um sereno assovio...
Quem sou eu
- Anna Clara
- Uberlandia, MG, Brazil
- Uma qualquer, com sentimentos quaisquer, com singularidades quaisquer, com paixões quaisquer, com raivas quaisquer, com contos quaisquer, com problemas quaisquer, com delicadezas quaisquer, com olhares quaisquer... sou o "qualquer". Qual quer?
